História da ACANNEA ACANNE (Associação de Capoeira Angola Navio Negreiro) foi fundada, em 1985, com o objetivo de resgatar e preservar a capoeira angola entre as comunidades de Salvador, Bahia. Ela instalou sua 1ª sede na Fazenda Grande do Retiro (periferia da cidade) para trabalhar com as crianças e adolescentes pobres da comunidade. Na ACANNE, além do jogo e filosofia da capoeira, os alunos aprendem a fabricar, tocar e comercializar berimbáus. Eles também aprendem a preservar e replantar a beriba, a árvore da qual se retira a madeira para fazer o berimbáu, oriunda da Mata Atlântica brasileira. Uma orquestra de berimbáus possibilita a ACANNE descobrir novos talentos. Em 2001, a ACANNE, embuída da necessidade de ampliar o seu campo de atuação, inaugura sua nova sede na rua do Sodré, centro da cidade de Salvador, passando a exercer suas atividades nos dois locais (rua do Sodré e Fazenda Grande do Retiro). Ciente do valor da palavra viva, do axé contido na transmissão oral e no saber popular, a ACANNE criou o Encontro dos Guardiões da Capoeira Angola da Bahia, que acontece todos os anos, na segunda semana de março. Tal encontro demonstra a consciência que os membros da ACANNE tem do quão importante é preservar os valores e filosofia da capoeira angola, bem como, a memória e os ensinamentos dos nossos ancestrais. Ancestrais vindos da África, o chamado continente negro, lugar da espaço-nave terra onde, ha milênios, a espécie humana nasceu. Espaço geográfico que vem abrigando, ao longo dos tempos, sociedades, línguas e culturas muito variadas, não sendo, portanto, uma realidade homogênea, como se costuma pensar. Alguns povos africanos, oriundos de Angola, Congo, Moçambique, Nigéria, antigo Domé, e de outras partes do continente negro, atravessaram o oceano Atlântico em torno de 1549, chegando em terras americanas. Eram cerca de quatro milhões e seiscentos mil pessoas que, "importadas" como mercadorias, vinham nos porões dos navios negreiros, conhecidos como tumbeiros. Tem-se, assim a infeliz diáspora africana. Ao chegar no Novo Mundo, os negros tiveram que se organizar para sobreviver à crueldade dos homens brancos, que contavam com a cumplicidade da igreja católica. Muitos negros morreram de "banzo", tristes com a constatação de que nunca mais veriam suas famílias ou liberdade. Outros formaram quilombos e criaram a capoeira, mandiga dos escravos em busca da liberdade. |
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